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sexta-feira, 21 de março de 2014

DIFERENÇA DE DOGMA, DOUTRINA E COSTUMES


DIFERENÇA 

DOGMA, DOUTRINA E COSTUMES




O ponto fundamental de qualquer religião é o seu conceito acerca de Deus. A teologia define, conceitua e organiza as revelações contidas nas Escrituras. Os dogmas, as doutrinas e a religião estão interligados de modo recíproco, de tal forma que é impossível ter um conjunto de doutrinas não dogmátizadas. Esses termos, ainda correspondentes, não são idênticos. Por isso, se faz necessário observarmos a diferença, e até mesmo a possível relação, entre dogma, doutrina, costume e religião.

DOGMA


1.1  Definição

A palavra “dogma” deriva do grego “dokeō”[1], sendo usado no Novo Testamento com o sentido de “mandamento, decreto, ordenança” (Lc 2.1; At. 16.4; 17.7; Ef 2.15; Cl 2.14). No aspecto filosófico, dogma redere-se  às “afirmações doutrinárias que expressam o ponto de vista oficial de um mestre ou escola filosófica em particular”.
Um dogma religioso é uma verdade bíblica baseada sobre a autoridade, oficialmente formulada por qualquer assembleia eclesiástica.
A primeira vez que a igreja aprovou declarações “dogmáticas” foi no Concílio de Nicéia, em 325 d.c, ocasião em que a consubstancialidade do Filho com o Pai foi declarada como uma confissão de fé.
A consubstancialidade do Filho com o Pai é o dogma segundo o qual o Pai e o Filho são uma mesma substância, ou seja, iguais, o que significa que ambos são Deus.
Na Idade Média, a igreja Católica Romana desenvolveu o conceito do depositum fidei (“depósito de fé”), conceito este que sustentava que à igreja era confiada um depósito de verdades, cujas ramificações podiam ser licitamente desenvolvidas pela igreja. Finalmente, através do Concílio de Trento (1545-63) e o primeiro Concílio do Vaticano (1870), os pronunciamentos dagmáticos da igreja (católica) passaram a ser consideradas infalíveis. Então, o dogma era visto, no catolicismo romano, até mesmo antes desta reforma, como uma verdade cujo conteúdo objectivo é revelado por Deus e definido pela igreja.[2]
Os reformadores se posicionaram contrariamente a esta visão católica, e sustentavam que todos os dogmas devem ser confrontados com a revelação de Deus nas Sagradas Escrituras. Karl Barth disse: “A Palavra de Deus está tão acima do dogma quanto os céus estão acima da terra”.[3]
Para os reformadores, fé é confiança pessoal em Deus, e relacionamento com Ele mediante Jesus Cristo, e o necessariamente o as-sentimento àquilo que a igreja ordena que seja crido.[4]  
Dogma veio significar uma sentença de verdade doutrinária. Este, por sua vez, foi reconhecido como sendo de alto valor eclesiástico, sem, contudo qualquer reivindicação à infalibilidade.


1.2  Credo Dogmático

Credo[5] dogmático[6] é uma declaração da doutrina tal como diz as Escrituras Sagradas. O credo dogmático, determinada pela sã doutrina, é um fundamento indiscutível da teologia cristã. Apesar de exis-tirem fragmentos do Credo dos Apóstolos, a primeira declaração dogmática universal ocorreu em 325 d.c., no Concílio de Nicéia, onde o Filho foi declarado igual ao Pai.

1.3  Dogmas Heresiológicos

Dogmas Heresiológicos são afirmações contrárias às Escrituras. Muitas declarações dogmáticas são propensas a distorcer as escrituras. Alguns exemplos são:

a)     Dogma ariano (325 d.C)
Nega as duas naturezas de Cristo.
b)    Dogma mariológico (Concílio de Latrão – 1198)
Afirma que Maria é sempre virgem e mediadora.
c)     Dogma Russelita (Testemunhas de Jeová)
Afirma que Satanás deu origem à doutrina da Trindade.

DOUTRINA


A palavra “doutrina” procede do grego “didaskō”[7] e significa “ensino ou instrução”.
Doutrinas não verdades fundamentais da Bíblia, dispostas de for-ma sistemática. São revelações da verdade como se encontra nas Escrituras. O Novo Testamento usa o termo de forma genérica para referir-se a qualquer tipo de ensino ou instrução. Como por exemplo:

a)     Doutrina dos fariseus (Mt 16.12);
b)    Doutrina dos homens (Mc 7.7);
c)     Doutrina dos apóstolos (At 2.42);
d)    Doutrina de demônios (1 Tm 4.1);
e)     Doutrina de Deus (Tt 2.10);
f)     Doutrima de Cristo (2 Jo 9).

Entretanto, há um padrão doutrinário estabelecido pelos apóstolos, conhecido como “sã doutrina” (1 Tm 1.10), “boa doutrina (1 Tm 4.6), “doutrina de Cristo” (2 Jo 9). Quando estudamos o texto de Hebreus 6.1-2 que entendermos tratar-se de uma forma universal e sistemática das doutrinas de Cristo.


DOGMA
DOUTRINA

É a declaração do homem a-cerca da verdade apresentada em um credo:
a)   Pode ser humana ou influ-ência demoníaca (1Tm 4.1; Cl 2.22);
b)   Seus assuntos podem se contrapor;
c)   Quando não enganosa, é suscetível ao erro;
d)   Alguns dogmas baseiam-se em interpretações equi-vocadas dos textos das Escrituras, sendo, muitas, vezes, desprovi-dos do a-val das mesmas (2 Pe 1.20);
e)   É a declaração do homem acerca da verdade.

É a revelação da verdade so-bre um tema teológico em par-ticular, como se encontra nas Escrituras:[1]

a)   É divina (2 Tm 3.16; 2Pe 1.19-21);
b)   É coerente nos assuntos (Jo 10.35);
c)   É verdadeira (Sl 119.86; Jo 17.17);
d)   Existe a aprovação das Escrituras e do Espírito Santo (1 Co 2.4-10);
e)   É a revelação de Deus e seu relacionamento com suas criaturas expostos nas Escrituras.


COSTUME

O termo “costume”, como o conhecemos, deriva de dois termos latinos: “com”, que significa totalmente; e “suescere”, que significa acostumar-se com. Logo, temos a definição “algo que alguém fica acostumado”. O correspondente em grego é “ethos”[9], de onde deriva a pa-lavra ética, que significa a conduta costumeira de um povo.[10]
Seguindo uma definição do dicionário, os costumes, numa sociedade específica, são práticas de comportamentos prescritos, do ponto de vista moral. Atitude ou valor social consagrado e que se impõem aos indivíduos do grupo e que se transmite através de gerações.[11]
A partir dessas definições podemos concluir que “costume” é tudo aquilo que um grupo, a partir de uma evolução histórica-cultural, acredita e afirma ser a melhor forma de conduta e comportamento para o coletivo, regendo, assim, a vida disciplinar diária daquela sociedade.
Podemos ainda avaliar, a partir da análise de Champlin[12], a conceituação de costumes segundo as ópticas filosóficas e religiosas.
 Vejamos:

a)     Na Filosofia
De acordo com as teorias humanistas e relativas, os cos-tumes formariam a base da ética. Dentro da teoria do com-sensus gentium (consenso comum), os costumes dos povos formar-se-iam mediante consenso coletivo, porquanto refle-tiam as leis naturais e a verdade. A partir desta teoria, algu-mas sociedades tendem por considerar os seus costumes como se fossem universais. No entanto, a ética absolutista e ateísta nega que os costumes sejam a base da verdadeira a-ção ética. Antes, essa base vem de alguma fonte externa ao homem, como por exemplo, Deus e a Bíblia, de tal modo que os homens receberiam as regras do certo e errado da parte de algum poder mais alto do que eles, e não dos costumes fixados através das experiências do dia-a-dia.

b)    Na Religião
O costume é uma questão meramente humana, embora pos-sa estar apoiada nas leis naturais e nos impulsos da consci-ência, estando assim em harmonia com a vontade de Deus. Por outro lado os costumes podem ser totalmente perversos, acompanhando a natureza pecaminosa do homem. Por conseguinte, um dito popular, que peca pela raiz, é aquele que diz: “A voz do povo é a voz de Deus”. Na verdade, em face da natureza pecaminosa e rebelde do homem, definitivamen-te  a voz do povo corresponde a voz de Deus; antes, geralmente contraria a vontade revelada de Deus. É precisamente por isso que o evangelho é pregado ao mundo inteiro, conclamando os homens ao arrependimento, ou seja, à mudança de atitude mental.
A ética alicerça-se sobre as leis naturais e sobre a revelação divina, mas jamais sobre os costumes sociais, partem eles de onde partirem. Podemos então perceber que um costume geralmente é um conceito que parte do censo comum, mas isso não significa que seja a verdade Absoluta.
De forma alguma estamos sugerindo que o costume gire sempre em torno do erro. O que pretendemos afirmar é que o costume jamais estará acima da verdade Escriturística, e sim que ele apenas é básico para elaboração de um sistema ético. Se assim não for, os costumes tornam-se dogmas, fazendo, assim, os conceitos serem obrigatórios, autoritários. A verdade é sempre maior do que qualquer costume.
Infelizmente, não são todos que compreendem este fato e acabam por tornar os seus costumes como sendo “a verdade”, passando a fazer com que estes sejam a tradição de determinado grupo. A questão da tradição vem à tona, na presente discussão, porque todas as denominações são, na verdade, resultantes de tradições que professam.
O teólogo Antônio Gilberto, com maestria, nos aponta pelo menos três diferenças básicas entre doutrina bíblica e costumes humano, quais sejam:

Quanto à origem
A doutrina é divina;
O costume é humano;
Quanto ao alcance
A doutrina é universal;
O costume é local;
Quanto ao tempo
A doutrina é imutável;
O costume é temporário;[13]









É certo que as doutrinas bíblicas geram os bons costumes, mas os costumes não geram doutrinas bíblicas. Há igrejas que têm um somatório imenso de bons costumes, mas são rasas no conhecimento das doutrinas. O prejuízo desse comportamento é que seus membros naufragam com facilidade no mar de heresias, justamente por não terem o lastro espiritual da Palavra.

 RELIGIÃO


No grego do Novo Testamento, o vocábulo “thrēskeía”[14] é traduzido por “religião” (At 26.5) e “culto” (Cl 2.18). Lactâncio, antigo escritor cristão, afirmou que a palavra “religião” era procedente do verbo latino “religare” que significa “tornar a ligar” e traduz a ideia de um “religamento das relações rompidas pelo pecado entre o homem e Deus”. Entretanto, essa afirmação tem sido contestada, pois segunto Teixeira, o particípio de “religare” dá o sentido de “pessoas piedosas, prestando culto e reverência a deuses”, o que este relacionado com o significado do original grego.[15]
Isto posto, religião relaciona-se às atividades que liga o homem a Deus numa determinada relação (At 25.19; 18.15; 26.3,5; Tg 1.26,27).

Relação Entre Teologia e Religião


Teologia é o conhecimento acerca de Deus, enquanto que religião é a prática que formalizou esse conhecimento. Religião e Teologia devem coexistir na verdadeira experiência cristã; todavia, na prática, às vezes acham-se distanciadas de tal maneira que é possível ser teólogo sem ser verdadeiramente religioso e, por outro lado, ser verdadeira-mente religioso sem possuir um conhecimento sistemático doutrinário.

“Se conheces estas coisas, feliz serás se as observares”, é a mensagem de Deus aos que lidam com a Teologia.
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Tm 2.15); é a mensagem de Deus ao homem espiritual.





ESTUDO EXTRAÍDO DO LIVRO TEONTOLOGIA
 CURSO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA, IBT

Por Pr Eduardo Rodrigues
Lisboa - Portugal





[1] Idealmente, a doutrina é formada com o intuito de ser fiel às Escrituras e ao mesmo tempo dar atenção às tradições da igreja. Cf. GRENZ, J. Stan-ley; GURETZKI, David. Dicionário de teologia: mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 42.
[1] δοkέω (dokeō) pensar, crer, supor, considerar, conforme podemos observar nos seguintes textos: Mt. 3.9; Lc 24.37; 1 Co 3.18; Hb 10.29. O termo pode significar “parece-me melhor, eu resolvo ou decido” (Lc 1.3). Cf. GINGRICH, F. Wilburt; DANKER, Frederick W. Lé-xico do N.T: grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1984. p. 58.
[2] Cf. MCKIM, D.K. Dogma. In: ELWELL, Walter A. (ed) Enciclopédia historico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988. V 1 (A-C). p. 490.
[3] Cf. BARTH, Karl. Apud MCKIM, D.K. Dogma. In: ELWELL, Walter A. (ed) Enciclopédia historica-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988. V 1 (A-C). p. 490.
[4] Cf. MCKIM, D.K. Dogma. In: ELWELL, Walter A. (ed) Enciclopédia historica-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988. V 1 (A-C). p. 490.
[5] Credo: termo oriundo da palavra latina credo (creio); trata-se de uma declaração da fé cristã. Primordialmente, o propósito dos credos era de apresentar uma súmula da doutrina cristã. Posteriormente, os credos tornaram-se ferramentas para instruir os novos convertidos, para rebater as heresias e até mesmo para serem usados no culto. Há três famosos credos que foram estabelecidos durante os cinco primeiros séculos da história eclesiástica, que são: credo Apostólico, o Credo de Niceno e o Credo de Atanácio. Cf. GRENZ, J. Stan-ley; GURETZKI, David. Dicionário de teologia: mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 32.
[6] A dogmática é uma das mais tradicionais disciplinas da teologia cris-tã. Sua tarefa especial é a implantação crítica das doutrinas da fé da igreja à luz de nosso conhecimento a respeito das origens do cristianismo e do desafio representado pela situação contemporânia. Cf. BRAATEN Carl E.; JENSON, Robert W. Dagmática cristã. São Leopoldo: Sinobal, 1990. p. 29. Na ortodoxia oriental, dogmas são ensinos oficialmente aceitos pela igreja, e não meras teo-rias desse ou daquele teólogo. Cf. GRENZ, J. Stanley; GURETZKI, David. Dicio-nário de teologia:  mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 42
[7] Διδάσkω (didaskō), ensinar (Mt 1.21; At 15.35; 1 Co 11.14). O termo possui a mesma raiz de didakhê (διδαχή), “ensino como uma actividade, instrução”. Em sentido passivo significa “o que é ensinado”, “ensino”, “instrução”. Deste termo é formado didaskalos (διδάσkαλος), “mestre” ou “professor” (Rm 2.20; Hb 5.12); didaktos (διδαkƮός), “ensino” ou ”instruido”; didaktos (διδαkƮός θϵοv), isto é, “ensinado por Deus” (Jo 6.45).  Cf. GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do N.T: grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 56.
[8] Idealmente, a doutrina é formada com o intuito de ser fiel às Escri-turas e ao mesmo tempo dar atenção às tradições da igreja. Cf. GRENZ, J. Stan-ley; GURETZKI, David. Dicionário de teologia: mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 42.
[9] ἒθος (ethos) hábito, costume, uso. Cf. GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do N.T: grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 56.
[10]  Cf. CHAMPLIM, R.N; BENTES, J.M. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Candeia, 1991. V1 (A-C), p. 944.
[11] Cf. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 490.
[12] Cf. CHAMPLIM, R.N; BENTES, J.M. Op. cit. p. 944.
[13] GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p. 85.
[14] θρησkϵία (thrēskeia), religião ou culto, Cl 2.18 e Tg 1.26. Cf. GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do N.T: grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 98. Thrēskeía é o termo empregado para classificar ritos e leis que regem uma sociedade religiosa (At 26.5) e atos filantrópicos (Tg 1.26,27). Cf. ESCOLA PREPARATÓRIA DE OBREIROS SILOÉ – EPOS. Heresiologia. Joinville: Equipe de Pesquisa, 2002. p.11.
[15] Deve-se observar que a etimologia latina desta palavra difere de au-tor para autor. Para Cécero, ela vem do latino religio e deriva-se do verbo relegare ou seja, reler, que significa cuidadosa reconsideração e profunda concentração da mente em objetivo ou de culto externo, chama-se latreia – Culto (ver Rm 12.1) e thrēskéia – religião (Tg 1.27); no sentido subjetivo, chama-se pistis – fé; enquanto que eusebeia – piedade (1 Tm 4.7,8) inclui o sentido dos dois grupos de palavras. Thrēskeía pode significar religião real, mas refere-se mais a organização exterior, enquanto eusebeia indica uma relação pessoal e real com Deus e só se refere a uma comunidade quando esta é composta de verdadeiros adoradores. Cf. TEIXEIRA, Alfredo B. Dogmética evangélica. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Pendão Real, 1976. p.43. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O NATAL É PAGÃO OU CRISTÃO? DEVEMOS COMEMORÁ-LO?





Minha Posição Sobre o Natal - Respondendo a Pergunta de Muitos.
Resolvi deixar passar o Natal para responder a pergunta de muitos a mim dirigida sobre o tema. Segue minha posição sobre o assunto:

Alguém já disse que, quando temos somente um relógio, sabemos exatamente que horas são. Quando temos dois relógios, então já não temos certeza. Diante dos pontos divergentes, somos obrigados a refletir e escolher o caminho. Assim tem acontecido com o Natal.

Houve um tempo em que ser cristão e comemorar o Natal eram as coisas mais naturais do mundo. Afinal, é o nascimento de Cristo, não é? Bom, há controvérsias.

Primeiramente, para muitos estudiosos cristãos, o Natal como nascimento de Jesus é uma comemoração artificial. Já se sabe com certeza que ele não nasceu no dia 25 de dezembro. Sabe-se inclusive que nesta data, no Império Romano, era comemorado o solstício de inverno e havia uma festa em honra a um deus chamado Mitra. Diante dessas informações, muitos cristãos entenderam que não seria correto comemorar o Natal. Mesmo porque não existe na Bíblia nenhuma ordem para se comemorar o dia do nascimento de Jesus.

Em suma, comemorar o Natal tornou-se, para muitos cristãos, algo sem sentido. Ele não nasceu nesta data. Esta data tem origem pagã. A Bíblia não ordena sua comemoração.

Somando-se a isto, temos os inúmeros excessos, na comida e na bebida, que se comete neste período. Gasta-se mais do que se pode. E ainda por cima o ambiente é dominado por comemoração vazia, por figuras mitológicas como duende e gnomos. A cena, que deveria no mínimo pertencer a Cristo, é dominada pela figura do Papai Noel, que entrou na história sabe-se lá por qual caminho.

Entretanto, mesmo diante desses fatos, muitos líderes e cristãos escolhem celebrar o Natal, e o celebram com alegria e intensidade. Por quê?

Primeiramente porque, independente da data, o Verbo se fez carne e habitou entre nós. O Eterno entrou no tempo e se fez homem. Este fato é grandioso, e ter uma data em que esta verdade pode ser proclamada é muito precioso.

Segundo; se não há mandamento para que se comemore a data, também não há proibição. Não há nenhuma ordem contra a comemoração do nascimento de Cristo.

Em terceiro lugar, pode-se fazer uma analogia com o Dia da Bíblia. Também não é uma comemoração ordenada nas Escrituras e, mesmo assim, é uma bênção poder usar este dia para exaltar a Palavra de Deus.

Em quarto lugar, o fato de 25 de dezembro ter sido dedicado a um deus pagão, não significa que eu o esteja adorando nesta data. Na maioria das vezes, se os pesquisadores não nos dissessem, nada saberíamos sobre ele. Também não significa necessariamente uma tentativa do imperador Constantino de paganizar o cristianismo. É mais provável que sua intenção fosse cristianizar o Império. Mesmo que ele tenha errado em sua estratégia, provavelmente não estava conspirando contra Cristo.

E por último, como nós nos sentiríamos se algum feriado idólatra de hoje fosse substituído por algum outro que exaltasse as verdades divinas? Não seria bom?

Com estes pensamentos, muitos permanecem fazendo do Natal uma ocasião de comemoração para a glória de Deus.

Em minha opinião, e é apenas minha opinião, aprecio tanto um como o outro. Aprecio aquele que, entendendo um paganismo encoberto, se afasta do Natal. Isto de modo algum significa que ele se afastou de Cristo. Pelo contrário, ele não comemora o Natal por amor a Cristo.

E, embora possa parecer um paradoxo, também aprecio aqueles que preferem usar o Natal para proclamar a preciosa verdade da encarnação do Verbo, pois colocam Jesus no centro dessa comemoração e convidam a todos a se renderem àquele que nasceu em Belém. Eles também o fazem por amor a Cristo.

Contradição? Paulo escreveu aos Romanos, em contexto diferente, mas em desafios semelhantes:

Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus. Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. Por esta razão Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e de mortos. Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus. Porque está escrito: “ ‘Por mim mesmo jurei’, diz o Senhor, ‘diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus’. Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. (Romanos 14.5-12)

Somente não posso aceitar aqueles que celebram o Natal sem colocar Cristo no centro, que nada mais fazem do que exaltar Papai Noel e seus duendes, que com nada mais se preocupam do que panetones e perus. Isto definitivamente nada tem a ver com Natal. Verdade seja dita. Para muitas pessoas, o Natal é uma festa de perdição, em que os seus pecados se multiplicam. Estes com certeza profanam a data.

Já há muito deixei de assistir aos filmes sobre Natal, por mais bonitos que sejam e por melhores que sejam suas mensagens. Durante duas horas o nome de Cristo sequer é mencionado. Isto não é Natal, é um engano. “Tudo me é lícito, mas nem tudo edifica” (1Co 10.23).

Se você quer fazer o certo, coloque Jesus em seu Natal ou o abandone de vez. Pense nisso.

Em Cristo.



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O QUE É O BAPTISMO EM ÁGUAS E QUAIS OS BAPTISMOS BÍBLICOS


O QUE É O BAPTISMO EM ÁGUAS E QUAIS OS BAPTISMOS BÍBLICOS


INTRODUÇÃO

Aprendemos nas lições passadas a origem do pecado e os estragos que este causa na vida do homem e até mesmo na natureza, aprendemos também o maravilhoso projecto de Deus para salvação da humanidade caída por meio de Cris-to Jesus, o “...autor e consumador de nossa fé...” (Hb 12.2).
Uma vez conscientes da necessidade de entregar nossas vidas a Cristo Jesus nosso Senhor, o perfeito Sumo-Sacerdote, aprenderemos o que é baptismo em águas e sua importância para uma vida de comunhão com o Corpo de Cristo (Sua Igreja) e com o próprio salvador.

1.     O QUE É O BAPTISMO EM ÁGUAS?


De acordo com a definição etimológica o dicionário bíblico Almeida, publicado pela Sociedade Bíblica do Brasil, edição de 1999, define o batismo como “Cerimónia em que se usa a água e por meio da qual uma pessoa se torna mem-bro de uma igreja cristã. O batismo é sinal de arrependimento e perdão (At 2.38) e união com Cristo (Gl 3.26-27), tanto em Sua morte como em Sua ressurreição. (Rm 6.3-5)”
No seu sentido literal, o termo Baptismo, significa: Mergulhar ou Imergir.
baptismo já era parte da tradição Judaica muito antes da era cristã, e foi instituído pelo próprio Cristo como uma das ordenanças para Sua igreja. João Batista, não introduziu nenhum novo costume quando baptizava os seus discípulos no rio Jordão, pois entre os judeus, a imersão de todo o corpo, em água corrente, já era praticada pelos próprios sacerdotes e por muitas ramificações do judaísmo, como meio cerimonial de se limpar de toda impureza (Is 1.16), havia também, entre os judeus, o hábito de baptizar os gentios convertidos ao Judaísmo. O Senhor Jesus, a fim de cumprir a Lei e poder ser aceito pelos judeus como o Messias, desceu as águas baptismais (Mt 3.13), e mais tarde, ao instituir a igreja, o Mestre deixou o baptismo em águas como uma de suas ordenanças.

2.     PORQUE EU DEVO-ME BAPTIZAR?


O pecador ao reconhecer as suas misérias e ao receber o Senhor Jesus em seu coração (Rm 10.9), necessita confessar publicamente seu arrependimento e que deixou o pecado para viver sua nova vida em Cristo. O baptismo é mandamento do Senhor Jesus a sua igreja, e faz parte do projecto de salvação da parte de Deus:

“...Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo... (Mt 28.19) ”; “E disse-lhes: "Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. (Mc 16.15-16) ”;

Quando o pecador desce as águas baptismais  o mesmo esta testificando junto ao mundo espiritual e perante os homens, que ele morreu para as práticas mundanas e agora vive para Deus.

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo vive-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. (Gl 2.20) ”

Descer as águas baptismais além de ser um mandamento bíblico e um testemunho vivo da nova vida em Cristo é uma confissão da nossa fé no filho de Deus diante dos homens (Mt 10.32; Lc 12.8), é também uma demonstração de amor ao glorioso salvador, pois o próprio Jesus afirmou que a maior demonstração de amor que podemos dar a Ele é guardar os Seus mandamento. (Jo 14.15).
Ao descer as águas baptismais o pecador redimido passa ser membro do corpo místico de Cristo e de uma comunidade cristã, ao passo que este se torna membro da família de Deus. (Ef 2.19).

3.     OS TIPOS DE BATISMOS

 Há na bíblia três tipos de batismos, e cada um deles possui um significado todo especial, conforme segue:

a)     Baptismo na morte de Cristo
Baptismo espiritual que acontece no momento em que o pecador recebe o Senhor Jesus em sua vida. No momento da sua entrega, Deus transforma por meio do poder do Espírito Santo a natureza pecadora do homem em uma nova natureza, lavada e redimida pelo sangue de Jesus.
Este obra do Espírito Santo chama-se  “Novo Nascimento” ou “Batismo na Morte de Cristo”.

Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos baptizados em sua morte?
Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.” (Rm 6.3-4)

Este baptismo é espiritual e dá testemunho no mundo espiritual de que o pecador passou da morte para vida por meio da fé no filho de Deus.

b)    Baptismo em águas
baptismo em águas caracteriza o testemunho diante dos homens da nova vida do pecador em Cristo, dar testemunho do poder redentivo do salvador e das fortes convicções de fé deste, uma vez que se encontra consciente de sua descrição e optou, ao crer na mensagem da cruz, em entregar a sua vida aos cuidados do Senhor Jesus, passando a viver de acordo com Seus preceitos e mandamento para a vida.
Testemunha que o pecador abandonou a sua fã maneira de viver para viver a sua fé no filho de Deus que faz parte do corpo de Cristo, por meio da comunhão à comunidade cristã em que serve do Senhor.

c)     Baptismo com fogo ou no Espírito Santo
Baptismo de fogo, administrado pelo Espírito Santo, uma vez que o adorador o busca de forma intensa e desejosa. Para tal, o adorador deve vi-ver de forma santa e agradável aos olhos do Senhor seu Deus.
Este baptismo é espiritual e consiste em um revestimento de poder, a fim de habilitar o crente a desempenhar ministérios na obra do Senhor. È um baptismo que edifica o adorador e a igreja como um corpo, pois junto com ele o Espírito Santo administra dons espirituais para serviço da Sua igreja. Capacita o crente a vencer as fraquezas da carne e as tentações do mundo, bem como lhe da poder e autoridade sobre as forças espirituais do mal.
Torna-se impossível pregar o evangelho ou exercer funções ministeriais na igreja de Cristo sem o batismo do Espírito Santo, já visto que o pró-prio Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que ficassem em oração e consagração em Jerusalém, até que do alto fossem revestidos de poder (Atos Cap. 2). O pecador ou entregar a sua vida a Cristo e ser liberto de todas as práticas mundanas e pecaminosas deve o baptismo do Espírito Santo de imediato, uma vez que este deve testemunhar sua fé no fi-lho de Deus publicamente, e para tal tarefa, necessita do poder do Alto.

4.     QUEM DEVE SER BAPTIZADO?


No começo da Igreja, os discípulos baptizavam os neófitos tão logo se convertiam. A pessoal entregava sua vida para Jesus e logo era baptizada (At 2.41; 8.35-39; 18.8). Com o passar dos tempos se adoptou a prática de esperar um pouco antes para o baptismo  para conferir se a pessoa realmente se convertera. Por quê? Porque no começo, tornar-se cristão era assinar um atestado de óbito. Quem confessava Jesus com sua boca e era baptizado geralmente acabava preso, morto ou tendo seus bens confiscados (Hb 10.32-39). De modo que só confessava Jesus como Senhor quem de fato se convertia e estava disposto a seguir Jesus até a morte (Rm 10.9). Da mesma maneira, este tipo de gente deve hoje ser baptizada  O problema é que por volta de 325 d.C. o imperador romano Constantino, se converteu (ou pelo menos disse ter se convertido  e o Cristianismo passou a ser a religião oficial do Império. Agora, ser cristão era algo vantajoso. Muitos passaram a se dizer cristãos, mesmo sem ter passado por uma verdadeira experiência de conversão.
De acordo com os mandamentos bíblicos, todos aqueles que aceitaram a Jesus como salvador e mantém um padrão de conduta que glorifique ao Senhor Jesus, uma vez que este já não vive de acordo com os padrões do mundo ou da carne, mas vive de acordo com os padrões estabelecidos por Deus.
A bíblia declara que o candidato de crer na salvação em Cristo antes de descer as águas baptismais  e para crer, ele necessita estar consciente de sua actual situação (de pecador) diante de Deus, a fim de poder confessar seus pecados alcançar a misericórdia divina. O baptismo é individual, e não pode ser realizado por um substituto. Por este motivo, não encontramos amparo bíblico para baptizar crianças, pois o próprio salvador só foi baptizado depois dos 30 anos de idade, que para o povo judeu, era a idade adulta.
Conforme descrito acima, para ser baptizado é necessário que o pecador ouça a mensagem da cruz, ao ouvir, crer e ao crer decidir descer as águas baptismais  Como uma criança não tem consciência do seu erro e não pode crer e a mesma não se encontra apta a descer as águas baptismais.

 5.     O QUE APRENDEMOS?


Todo o crente ao receber o Senhor Jesus, deve viver uma vida de santidade, pois este se tornou templo do Espírito Santo e viver uma vida de comunhão com a Sua igreja. A única forma de ser recebido como membro de uma comunidade cristã é por meio do baptismo  pois este testemunha diante dos homens que processa a mesma fé no filho de Deus. Ao descer as águas baptismais  o crente este andando de acordo com a vontade do Senhor, fazendo aquilo que lhe agrada.